O Grande Auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT), no Campus da Caparica, recebe no próximo dia a 2 de outubro “O Tempo dos Rios”, um espetáculo multidisciplinar que cruza música, cinema e literatura numa reflexão sobre a relação entre a humanidade a natureza.
Com direção artística do maestro Martim Sousa Tavares, o espetáculo está marcado para as 18h e conta com a participação da Orquestra Sem Fronteiras (OSF), do compositor e multi-instrumentista Tiago Sousa, da realizadora Joana Patrão e da escritora Joana Bértholo.
“O Tempo dos Rios” propõe uma reflexão artística sobre os rios enquanto património ecológico, cultural e poético. “O projeto que conta com a interpretação da Orquestra Sem Fronteiras (OSF) propõe uma experiência imersiva e multissensorial, onde diferentes linguagens artísticas dialogam em torno da relação entre humanidade e natureza”, sublinha a NOVA FCT em comunicado.
A componente musical parte do trabalho de Tiago Sousa, marcado pela escrita minimalista e por referências à agua e aos movimentos naturais. As suas composições serão recriadas e expandidas pela OSF através de um processo de cocriação que envolve o próprio compositor e vários intérpretes em palco, “explorando novas sonoridades e ampliando os horizontes tímbricos das obras originais”, de acordo com a mesma nota.
A dimensão visual será assegurada por um filme mudo original de Joana Patrão, criado especificamente para esta apresentação. “A obra cinematográfica acompanha o percurso musical e integra-se organicamente na narrativa do concerto, estabelecendo um diálogo permanente entre imagem e som”, refere o comunicado.
A literatura integra também o espetáculo, através da participação de Joana Bértholo, autora de “Ecologia”. A escritora será responsável pela leitura de textos e excertos inéditos que acrescentam “uma nova camada de interpretação ao tema central dos rios, da paisagem e da relação entre pessoas e território”.
Martim Sousa Tavares e a Orquestra Sem Fronteiras
Natural de Lisboa, Martim Sousa Tavares é maestro, divulgador cultural e programador artístico. Formado em Ciências Musicais e Direção de Orquestra, realizou estudos em Portugal, Itália e nos Estados Unidos, onde foi bolseiro Fulbright. É fundador da Orquestra Sem Fronteiras, diretor artístico da Orquestra do Algarve e do Festival de Sintra.
A OSF, com sede em Idanha-a-Nova, tem como objetivo apoiar e fixar talento jovem no interior do país, combater o abandono do ensino da música e promover a participação cultural em territórios da baixa densidade populacional. “A OSF apresenta-se em dezenas de localidades, sobretudo no interior raiano, oferecendo concertos, palestras, ensaios abertos e outras ações de pedagogia e introdução à musica às populações locais”, de acordo com a mesma nota.
A formação desenvolve ainda projetos anuais de música em comunidade, com ligação a comunidades, escolas e outras realidades sociais no interior do país. “No seu todo, a OSF tem como matriz a criação de oportunidades de participação e fruição cultural, fortalecendo o ecossistema social, económico e cultural do nosso país e contribuindo para a diminuição das assimetrias geográficas”, segundo o comunicado.
Desde 2019, a OSF possui o estatuto de utilidade pública cultural. Em 2022, venceu o Prémio Carlos Magno para a Juventude, promovido pelo Parlamento Europeu e escolhido entre 455 candidatos dos Estados-membros da União Europeia. No mesmo ano, recebeu também o Prémio Carlos Pontes de Leça, da Fundação Mirpuri, e uma menção honrosa no Prémio Portugal Justo, da Fundação António Manuel da Mota.
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