A Cova da Piedade prepara-se para receber este sábado, 12 de setembro, a partir das 9h, a primeira edição do “Barrocas sobre Rodas”, uma iniciativa que pretende recuperar a tradição dos carrinhos de rolamentos e juntar diferentes gerações num momento de convívio.
Organizada pelo Ringue das Barrocas, através do projeto “Gangue das Rodinhas”, a iniciativa realiza-se entre as 9h e as 12h30, na Rua União Piedense (Cova da Piedade), e está integrada nas Festas de Nossa Senhora da Piedade. Além dos carrinhos de rolamentos, a descida vai também contar com bicicletas, patins, skates e trikes, estando previsto um prémio para o carrinho mais original.
A ideia nasceu da vontade de recuperar uma tradição ligada às memórias de infância e dar-lhe uma nova vida na Cova da Piedade. “É uma tradição que faz parte da nossa infância”, recorda Nuno Évora, vice-presidente da associação “O Ringue”, em entrevista ao ALMADENSE.
A iniciativa dá continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no Ringue das Barrocas, entretanto requalificado, e onde a comunidade desenvolve diversas atividades, nomeadamente de patins em linha.
Oficinas superam expetativas

Embora o “Barrocas sobre Rodas” estar marcado apenas para sábado, o projeto já começou a mobilizar crianças e moradores, que têm participado nas oficinas de construção de carrinhos nos ringues das Barrocas e de Cacilhas. A adesão acabou por ultrapassar largamente as previsões iniciais da organização, conta Nuno Évora: “Superou todas as expectativas. Queríamos fazer duas oficinas, acabámos a fazer quatro”.
Também as inscrições na descida, inicialmente estimadas entre 20 e 30 participantes, chegaram às 70. Por isso, apesar da primeira edição ainda não ter acontecido, a organização admite que já está a pensar numa edição no próximo ano.
Para o dia do “Barrocas sobre Rodas”, a expetativa é encontrar diferentes modelos e construções, uma vez que muitos dos participantes estão a preparar os seus carrinhos em casa. “Vai ser uma surpresa”, acredita o vice-presidente d’O Ringue, que espera também a participação de pessoas em patins e de um atleta ligado a uma modalidade de bicicleta.
Segurança acima da velocidade

Por se tratar da primeira edição, a organização coloca a segurança como prioridade. “O importante é termos zero acidentes. É o lema para este ano”, sublinha Nuno Évora.
A descida não será, inicialmente encarada como uma competição. Por isso mesmo, a organização está a limitar a velocidade dos carrinhos dos mais novos e optou por não lubrificar os rolamentos, tornando a atividade “mais virada para a experiência do que para a velocidade”. O objetivo é que seja sobretudo um desfile e um momento de convívio, embora possa existir uma corrida no final para os participantes mais experientes, caso estejam reunidas as condições de segurança necessárias.
O uso de equipamento de proteção é obrigatório, sendo pedido aos participantes que levem o seu próprio kit, nomeadamente capacete, cotoveleiras e joalheiras.
Recuperar o convívio no Ringue das Barrocas
Mais do que recuperar uma antiga forma de diversão, o “Barrocas sobre Rodas”, é uma iniciativa que pretende contribuir para aproximar a comunidade. Nuno Évora recorda que, durante a sua infância naquele mesmo bairro, eram muitas as iniciativas que juntavam crianças e adultos, dinamizadas por clubes e pela Comissão de Moradores da zona das Barrocas.
“É importante porque já não se vê”, refere, lembrando essas atividades e defendendo que o trabalho desenvolvido atualmente pretende voltar a criar momentos de encontro entre moradores. “Nós temos essa função de juntar a comunidade”, afirma, acrescentando que já tem sentido o envolvimento dos moradores através das sugestões que lhe vão chegando e do envolvimento de pessoas nas atividades.
O trabalho no Ringue das Barrocas não se limita, contudo, a esta iniciativa. Ao longo dos últimos tempos têm sido dinamizadas várias atividades no espaço, com um feedback que Nuno Évora considera positivo.
Para o vice-presidente da associação, a recuperação do espaço só faz sentido se for acompanhada por uma utilização regular do ringue e pelo envolvimento da comunidade. Esse trabalho é feito de forma voluntária, sendo a disponibilidade das pessoas um dos principais desafios. “Isto não é pago, é algo que é feito por amor”, explica o morador, deixando também um apelo à participação de quem possa ajudar, mesmo que tenha apenas alguns minutos disponíveis. “O importante é fazer acontecer”.
A forte adesão às oficinas de construção está a levar a organização a equacionar uma nova edição no próximo ano, que poderá trazer algumas novidades e contar com o apoio de outras entidades, nomeadamente na atribuição de prémios às crianças. Fica, assim, em aberto a continuidade da iniciativa e a possibilidade de, no futuro, serem criadas novas atividades associadas à descida.
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