A completar um ano na presidência da Transtejo/Soflusa, Rui Rei faz o balanço de uma operação que já é 100% elétrica entre Cacilhas e o Cais do Sodré, revelando que Cacilhas é uma das ligações em estudo para a futura ligação fluvial ao Parque das Nações. Em entrevista ao ALMADENSE, anuncia que a nova travessia entre a Trafaria e Algés vai passar a funcionar durante todo o dia e aborda o papel que o turismo pode desempenhar no financiamento do transporte fluvial. A preservação dos cacilheiros históricos e requalificação do terminal fluvial de Cacilhas são outros dos temas em destaque.
A operação com barcos elétricos teve um arranque um pouco atribulado. Hoje, podemos dizer que está estabilizada?
Neste momento, dos dez barcos elétricos, temos nove disponíveis, que podem ser operados a qualquer momento, e temos um em reparação no estaleiro porque teve um pequeno acidente. Agora, o que estamos a fazer é uma gestão correta e efetiva para termos sempre pelo menos nove barcos disponíveis. Fazemos a operação Seixal – Cais do Sodré 100% elétrica e Cacilhas também já é 100% elétrica.
Os passageiros notaram a diferença com o arranque da operação elétrica. Quando dependíamos apenas dos cacilheiros e dos catamarãs, as ligações não eram muito fiáveis.
O problema não estava nos cacilheiros, estava na manutenção e na falta de navios. Até 13 de outubro do ano passado, tínhamos 30% de corte na operação. Agora, desde junho, julho que esta ligação é 100% elétrica.
Em que é que isso se reflete?
Reflete-se num aumento de 30% de oferta, num aumento de pelo menos mais 10% adicionais. Depois, somamos a isto o número de lugares disponíveis, porque com os cacilheiros e com os catamarãs tínhamos 440 lugares por navio e agora temos 540. Portanto, temos disponibilidade, fiabilidade e conforto. Começávamos às 5h20 da manhã e hoje começamos às 5h. Terminávamos à 1h30 da manhã e hoje terminamos às 2h30 da manhã. É uma alteração substancial da forma como prestamos o serviço público e da forma como estamos disponíveis para as pessoas. É uma transformação tremenda.
Está previsto mais algum reforço no que diz respeito à ligação Cacilhas, nomeadamente à noite quando há maior tempo entre carreiras?
Quando há necessidade, reforçamos. Nós temos condições para reforçar. Neste momento não é necessário. Se for necessário, temos condições para reforçar. Temos navios e temos tripulações disponíveis para poderem fazer esse tipo de trabalho. E até poderemos vir a prazo a fazer serviço 24 horas.
Muitas vezes, a oferta induz a procura.
É verdade, e é isso que estamos a fazer. Mas, para isso, precisamos que depois, do lado de Lisboa, o metropolitano comece mais cedo. Estou convencido que no início do ano isso vai acontecer. É preciso é haver encadeamento, e é preciso reforçar as ligações ao Barreiro, ao Seixal, é preciso estudar Alhos Vedros e o Parque das Nações.

Quando é que vai avançar a ligação ao Parque das Nações?
Estamos a terminar o estudo de oferta e procura, o estudo de navegabilidade e depois a parceria com a Câmara de Lisboa. Assim que isso estiver feito, estamos em condições para fazer as obras necessárias. Estamos a terminar esse estudo. Mas há duas ligações que se destacam: o Montijo e Cacilhas.
Serão ligações diretas?
Diretas. No passado já existiu a ligação Cacilhas – Parque das Nações. A procura está lá, portanto, vamos ver o que vamos poder fazer.
Quando irá avançar?
Eu diria que em breve. Vamos ver. Não há uma data, mas há uma intenção e vontade de todas as partes. Portanto, agora é fazer o que falta.
Estamos a estudar a linha circular: uma ligação que inclua Cacilhas, Trafaria, Porto Brandão, Belém, Algés, Terreiro do Paço, Cais do Sodré.
Já existe uma linha Seixal – Barreiro ao fim de semana. Essa carreira poderá incluir Cacilhas ou outras paragens? Equacionam lançar uma linha que ligue as localidades da margem sul?
Estamos a avaliar isso: a possibilidade de introduzir a linha circular. Estamos a estudar uma ligação que inclua Cacilhas, Trafaria, Porto Brandão, Belém, Algés, Terreiro do Paço, Cais do Sodré… A Transtejo tem a obrigação de fazer isto, de servir as populações da margem sul e da margem norte. E é isso que estamos a fazer.
Têm barcos suficientes para fazer todas estas ligações?
Temos no total 30 navios, dez deles elétricos. Portanto, temos barcos suficientes para a operação de hoje, temos barcos suficientes para a ligação a Algés e temos barcos para fazer alguma coisa no Parque das Nações. Entretanto, vamos apresentar ao governo um plano de modernização de frota para o futuro. Mas, entre o futuro e o curto prazo, temos embarcações a diesel que nos podem ajudar a fazer uma parte destas operações.
Essa modernização de frota implica a aquisição de mais barcos?
Existe uma estratégia de descarbonização do Tejo. E essa estratégia implica que, num futuro, que se espera mais próximo do que longínquo, toda a oferta seja elétrica.
Portanto, tem que implicar a aquisição de mais barcos elétricos?
Sim e estamos a estudar isso. Está previsto, é um objetivo. Nós ficámos de fazer o trabalho e apresentar à tutela e é isso que vamos fazer no início do próximo ano. Em alguns casos, podemos estar a falar de embarcações mais pequenas, porque são mais ágeis e mais fáceis de operar, com maior frequência. Por exemplo, para fazer a ligação ao Parque das Nações, não serão necessários navios com 700 lugares, nem sequer de 540 lugares. Podem ser necessárias embarcações mais pequenas, mais rápidas.

Isto no que diz respeito à operação normal, mas também já abordou a possibilidade da Transtejo fazer percursos turísticos…
É possível. Temos uma ou outra embarcação preparada para isso. Temos o “Fantasia”, um barco pequeno, com 120, 130 lugares, que agora está em manutenção, mas que é um barco muito importante para essa operação. E temos o “São Paulus”, um cacilheiro muito bonito que pode ser usado na operação turística. Portanto, estamos em reuniões com alguns parceiros para analisar qual a melhor forma de entrarmos nesse mercado.
No que diz respeito à componente turística, que rotas estão em estudo?
Uma delas é a linha circular. Outra rota importante já a fazemos hoje: Cacilhas – Cais do Sodré, em que a maior parte dos bilhetes ocasionais são vendidos para o turismo. E o Parque das Nações, no futuro. Outra rota que está por aproveitar é a Sul, é Belém, com a ligação à Trafaria e a Porto Brandão.
[Na Trafaria] vamos ficar com a operação normalizada, estabilizada.
A ligação entre a Trafaria e Algés arrancou em julho de forma experimental. Que balanço faz até ao momento?
Decidimos que vamos fazer uma operação total para Algés, incluindo aos fins de semana. Neste momento, a operação funciona apenas na hora de ponta da manhã e na hora de ponta da tarde e vai passar a funcionar o dia inteiro. Vamos começar às 6h30 da manhã e terminar por volta das 21h30, 22h da noite. Depois, o objetivo é ir alargando o horário, de acordo com a necessidade das pessoas. Entre o fim de outubro e início de novembro, iremos fazer esse movimento.
Apenas com os cacilheiros?
Para já, com os cacilheiros.
São suficientes para assegurar a travessia? Quantos são agora em operação?
Temos três cacilheiros: dois em operação e um que em reparação. Nesta fase são suficientes. No futuro veremos. Na realidade o que vai acontecer é que o ferry vai passar a fazer só Belém – Trafaria e Trafaria – Belém.
Vai deixar de ir a Porto Brandão?
O ferry, neste momento, não embarca carros no Porto Brandão, só na Trafaria. Portanto, vai passar a fazer só Belém – Trafaria e o cacilheiro vai fazer o restante serviço: Trafaria, Porto Brandão, Belém e Algés. No fundo, vai passar a fazer um quadrado.
Vai então haver um reforço na ligação a Algés. Que balanço é que fazem até agora?
O balanço é positivo. Começámos com uma carreira experimental e os dados indicam que há procura. Agora temos uma procura na ponta da manhã e na ponta da tarde. Temos hoje praticamente mais pessoas a frequentar Algés do que Porto Brandão.
Entre julho e agosto a travessia Trafaria – Algés registou 3 mil passageiros.
Neste momento temos quase 6 mil passageiros.
Na verdade, se calcularmos por travessia, não são muitos passageiros. Dá uns cinco ou seis por travessia.
Há alturas em que levamos cinco, há alturas em que levamos dez ou doze passageiros, mas não é uma procura baixa. Estamos a fazer uma operação experimental. Quando ela estiver na sua totalidade, a carreira vai ser ainda maior. Além disso, temos que ser abastecidos como devem ser abastecidos os terminais através da Carris Metropolitana, tanto na Trafaria como na saída em Algés e na saída em Belém. Porque é que em Cacilhas há muita gente? Porque é que no Cais do Sodré há muita gente? Porque o Cais do Sodré é um terminal, é um grande polo de transportes. Algés tem que ser um grande terminal.
A estação de comboio de Algés ainda fica um pouco afastado do terminal fluvial.
Fica um bocadinho afastada, mas não fica mais afastado do que no Parque das Nações. Agora, o que vai ter que acontecer é que o terminal vai ter que ter autocarros para levar as pessoas. O que estamos a tratar é que a TML [Transportes Metropolitanos de Lisboa] possa reforçar a Trafaria, para que depois as pessoas possam fazer a travessia. Também na ligação entre Pedrouços e Algés. Portanto, na realidade, as coisas estão a consolidar-se. Aquela ligação tem procura e vai ter ainda mais no futuro.
Entende que tem potencial?
Claro, se olhássemos só para os números, o Porto Brandão já tinha fechado. Mesmo a ligação Belém – Trafaria.
Desde que haja passageiros que precisam desse transporte…
Sim. Daqui a um ano, dois anos, vamos ver a consolidação desse trabalho. É preciso que as pessoas cheguem à Trafaria e é preciso que as pessoas cheguem a Algés – Pedrouços. É este o caminho. Tal como chegam a Cacilhas. Na realidade, ainda precisamos que nos abasteçam mais o Terminal de Cacilhas.
Mais?
Mais, porque temos capacidade. Não precisamos de dizer às pessoas quais são as horas em que os barcos estão mais ou menos ocupados. Mesmo com a ocupação da manhã e a ocupação da tarde, temos capacidade para transportar mais pessoas. Portanto, quem hoje anda apertado na Fertagus, como sardinha em lata, pode vir para aqui [apanhar o barco]. É mais confortável, é mais previsível, tem mais rigor, respeitamos os horários e chegamos mais depressa a qualquer sítio de Lisboa. Não há nenhuma travessia como a nossa, que nos coloque de Almada em Lisboa em oito minutos. Não conhece nenhuma de certeza que faça esse caminho no Tejo. É mais rápido do que o comboio. Somos o transporte público com velocidade comercial mais elevada.
Quem hoje anda apertado na Fertagus, como sardinha em lata, pode vir apanhar o barco. Não há nenhuma travessia como a nossa, que nos coloque de Almada em Lisboa em oito minutos. É mais rápido do que o comboio.
Voltando à Trafaria, o navio “Almadense” regressou recentemente, depois de quase dois anos imobilizado. Como foi possível estar tanto tempo parado?
Preferia não falar do passado, gosto mais de falar do futuro. Foram opções, mas a realidade é que não podemos fazer uma operação sem ter redundância. Portanto, se o ferry é uma obrigação que nós temos de serviço público, com a possibilidade de fazermos o transporte de veículos como backup à Ponte 25 de Abril, temos que ter essas embarcações operacionais. Vamos garantir o serviço e vamos crescer.
Também na Trafaria?
Temos que crescer na Trafaria. Nomeadamente na ligação a Algés.
E o outro ferry, o “Lisbonense”, está em estaleiro?
Mas vai voltar, em breve estará operacional.
Vamos ter os dois ferries a funcionar?
Não ao mesmo tempo. Para garantir a operação, um ferry é suficiente. Não há necessidade de usar dois. Mas, se houver um problema com um deles, entra o outro. A partir de agora, teremos sempre ferry quando for necessário. Essa ligação fica assegurada. Ou seja, vamos ficar com a operação normalizada, estabilizada. Sem estabilização não há crescimento.
Com essa estabilização será possível reforçar o serviço entre a Trafaria e Belém? À noite, por exemplo, as ligações terminam às 21h30…
Podemos eventualmente alargar o horário, vamos ver. Há momentos em que é preciso mais frequência, é verdade. Mas, nesta fase, o importante é alargar o serviço para Algés. Vamos fazer primeiro este caminho. Não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo.
No verão vai haver reforço, até para servir a Costa da Caparica?
Vai haver mais oferta, até mais tarde. Para servir Lisboa, a Costa da Caparica e Almada. É esse o caminho que estamos a fazer. Talvez o verão do próximo ano já seja diferente do deste ano. Poderemos ter um horário sazonal. Mas para isso precisamos de consolidar.
A ligação entre o concelho de Oeiras e o concelho de Almada vai beneficiar Almada. Porque Almada está encostada a Oeiras. Se o rio unir em vez de separar, Almada sairá Beneficiada.
Está neste momento em fase de estudo uma ligação em túnel entre a Trafaria e Algés. Não vai provocar uma redundância com a ligação fluvial? Considera que o túnel é necessário?
Neste momento não há redundância. Quando houver túnel, existirá sempre espaço para uma coisa e para a outra.
Não é uma ligação que poderia ser assegurada por via fluvial?
Não, pode ser assegurada de forma efetiva pela ferrovia. A decisão que o senhor ministro [Miguel Pinto Luz] anuncia sobre essa matéria, tem toda a razão de ser. Há muitos anos que em Oeiras, quando lá estávamos, defendíamos essa solução como fator de desenvolvimento para as duas margens do Tejo e faz todo o sentido.
Há a possibilidade de ter metro.
Sim, ligar ao LIOS de Algés, que depois fazer a ligação a Benfica e a Alcântara e há o Metro Sul do Tejo, que chegará em princípio em 2029 à Trafaria. Faz todo o sentido. E fecha-se a malha.
Mas, nesse caso, estaríamos a falar da parte ferroviária. A parte rodoviária também faz sentido?
Eu acho que faz sentido. O que não faz sentido é a necessidade que temos na Ponte 25 de Abril e na Vasco da Gama, não poder ser colmatada de outra forma, isso é que também não faz sentido. Estamos a falar de grandes vias de atravessamento. Depois, estamos a falar do espaço interior das cidades. Aí, os municípios e a Área Metropolitana de Lisboa têm que gerir e definir como é que olham para esta malha. Mas o que não faz sentido são as filas e filas a que assistimos todos os dias e as dificuldades que as pessoas têm de atravessar. Portanto, as pessoas têm que ter condições para atravessar, tem que haver ligações e eu também não acredito que com o desenvolvimento, o crescimento, o nível de emprego que se vai criar na margem sul, a necessidade de movimento pendular continue a ser tão grande. Alguma há de reduzir.
Hoje em dia há muita necessidade de vir da margem sul para a margem norte para trabalhar.
A grande ligação entre o concelho de Oeiras e o concelho de Almada vai beneficiar Almada. Porque Almada está encostada a Oeiras. Se o rio unir em vez de separar, Almada tirará benefício desse ativo, quer em termos residenciais, quer em termos de empresas, quer de universidade. Temos que olhar para isso nessa perspetiva.
Vai nascer também uma ponte Chelas – Barreiro, que terá certamente impacto na operação fluvial do Barreiro.
A ponte importantíssima para ligar o sul ao norte, para ligar ao futuro aeroporto e a toda a zona de desenvolvimento do Barreiro, Seixal, Montijo. Toda aquela zona ganhará com esta ponte rodoferroviária. Com certeza que [a ligação fluvial] terá impacto e faremos essa avaliação. No futuro, a operação será diferente do que é hoje.
Vai retirar muitos passageiros à ligação Barreiro – Lisboa.
Se retirar passageiros e os colocar num comboio, ainda bem.
Mas também pode colocá-los em carros, com a componente rodoviária.
Os carros fazem parte da nossa vida. Não nos podem é tornar escravos dos carros, nada nos deve escravizar. O ser humano dever ser um ser livre e independente. Mas, na realidade esta construção, este desenvolvimento e este plano que o governo tem anunciado é de facto extraordinário para a transição de toda a margem sul e para continuar o desenvolvimento da AML [Área Metropolitana de Lisboa], de forma a torná-la cada vez mais competitiva no contexto ibérico-europeu.
Os cacilheiros são a história do Tejo. Se matamos a nossa história, matamos a nossa identidade.
Até há pouco tempo havia na Transtejo uma política de abate dos navios a gasóleo. Conseguiu inverter essa questão?
Sim, há uma política de abate. Ganhámos mais um ano para repensar a estratégia e não vamos abater, para já, nenhum navio até ao próximo ano. Estamos a conseguir conversar com as entidades e ganhámos aqui algum tempo para analisar que barcos a diesel teremos que abater.
Isso iria afetar sobretudo os cacilheiros mais antigos?
Não. Os cacilheiros são navios históricos, não podemos abater cacilheiros, são embarcações históricas.
Já tem sido feito.
Mas não pode continuar. Os cacilheiros são a história do Tejo. Se nós matamos a nossa história, matamos a nossa identidade. A história não se apaga e nem se rescreve.
São símbolos do Tejo.
Sim. Nós devemos manter os cacilheiros como fator de identidade, tal como a música, o fado… O Cacilheiro tem um nome, vem de Cacilhas, não é? Portanto, vamos continuar a respeitar a nossa história e não vamos abater os cacilheiros. Neste momento temos três e vão ficar.
Então se não foram abatidos os cacilheiros, seriam os catamarãs?
É uma hipótese.
Mas preferia não ter que o fazer?
Eu preferia, nesta fase, não ter que abater. Dar-me-ia mais flexibilidade de gestão.
É um pouco difícil entender como se abatem navios havendo necessidade de mais ligações.
Foi uma estratégia que se usou para o financiamento dos navios elétricos. Mas nós precisamos de estabilizar.
E para isso ainda precisa da frota a diesel?
Ainda preciso da frota diesel. Já não preciso em Cacilhas, nem no Seixal, mas ainda preciso nas restantes ligações.
Os cacilheiros poderão ser usados também em viagens turísticas?
Podem. Vamos modernizá-los e vamos usá-los. Se avançarmos com a operação turística, uma hipótese é usar os cacilheiros. Vamos torná-los mais atrativos para o turismo e para o serviço público.
Esta ligação a Cacilhas já tem uma forte componente turística…
É uma ligação de serviço público, transporta 7 milhões de passageiros, grande parte deles são de serviço turístico, de visita essencialmente ao Cristo Rei.
Não faz sentido que um turista pague dois euros por um bilhete ocasional. temos que aproveitar o turismo como fator de financiamento do restante serviço.
Já foi referida a possibilidade de aumentar o valor do preço do bilhete ocasional.
É uma questão de justiça. Não faz sentido que um turista pague dois euros por um bilhete ocasional quando a esmagadora maioria dos utilizadores são turistas. Portanto, temos que aproveitar o turismo como fator de financiamento do restante serviço.
Será para quando?
Geralmente os ajustamentos de preço são a 1 de janeiro. Portanto, vamos ver.
Qual seria o preço, tendo em conta essa necessidade de contribuir para o financiamento?
Eu gostaria que fosse um ajuste justo para a operação e para o serviço público. Não faz sentido que esta passagem custe menos que alguns cafés por aí. E isto não afeta nada os cidadãos portugueses, não é esse o objetivo. O objetivo é que o turismo financie uma parte da operação.
E na Trafaria ainda é mais barato. Também pretendem aumentar?
Iremos ajustar. Não podemos querer ter qualidade sem dar qualidade.
Estamos a trabalhar num projeto que é a possibilidade de termos um novo terminal [em Cacilhas].
Há muito tempo que se fala da requalificação do terminal de Cacilhas. O que está a impedir?
Vamos modernizá-lo, requalificá-lo. Estamos a trabalhar num projeto — já começámos a discuti-lo com a Câmara de Almada — que é a possibilidade de virmos a ter um novo terminal.
Onde seria o novo terminal?
Temos duas ou três hipóteses: a zona onde está o Clube Náutico, a entrada da doca 13 ou até a zona onde está o farol. Mas, enquanto não definimos tudo isso, vamos fazer, durante o próximo ano, obras de melhoria no terminal.
Quando vão avançar?
Não lhe consigo dar uma data, mas será durante o próximo ano. Existem intenções de melhorar o terminal de Cacilhas. Não será o terminal definitivo, mas ficará remodelado, para dar qualidade aos nossos clientes.







