Margarida Varela: “O Piaget é um espaço onde se cresce em conjunto”

Com quase cinco décadas de história, o Campus do Piaget em Almada inicia um novo ano letivo num momento de consolidação e transformação. À matriz histórica da Educação juntam-se hoje áreas como a Psicologia, o Desporto, a Gestão, a Tecnologia e a Saúde, criando no mesmo espaço uma diversidade de percursos e áreas do conhecimento.

Para Margarida Varela, presidente do Campus Universitário do Piaget em Almada, um dos desafios passa precisamente por transformar essa diversidade numa vantagem, aproximando cursos, escolas e áreas científicas e criando oportunidades de trabalho interdisciplinar.

No arranque do ano letivo de 2026/2027, a presidente do campus aborda as prioridades para o novo ano letivo, a renovada procura pela formação de professores, o crescimento da área da Saúde, a adaptação da formação às mudanças no mercado de trabalho e a importância de manter o campus aberto à comunidade.

A Educação está na origem do Piaget, mas o Campus de Almada reúne hoje áreas de formação muito distintas. Que prioridades orientam o desenvolvimento do campus neste novo ano letivo?

As prioridades vêm sendo sedimentadas na própria projeção do Piaget no espaço universitário nacional. Passam, desde logo, pela consolidação da nossa história e, principalmente, da nossa matriz, que é a Educação.

Estamos perante um setor em transformação e vemos desafios crescentes relacionados com a necessidade de formar docentes. Queremos continuar a afirmar-nos neste domínio, até pelo peso de uma instituição que formou centenas de professores e educadores ao longo de quase 50 anos.

Ao mesmo tempo, temos de olhar para novas áreas e procurar estar na linha da frente, como acontece com a Licenciatura em Medicina Tradicional Chinesa.

Mas há um elemento que considero particularmente importante na afirmação do Campus: a interdisciplinaridade e a pluralidade que resultam de termos, num único campus, tantas áreas de formação.

Não queremos que as escolas e os cursos se vejam como ilhas. Queremos criar pontes e promover o diálogo entre diferentes disciplinas. Esse é também um papel das direções e da presidência do campus.

Gostaria que os estudantes que se formam no Piaget levassem consigo essa marca: a capacidade de trabalhar com outros e de articular diferentes áreas do conhecimento.

Depois de alguns anos marcados pela menor atratividade da profissão docente, os cursos ligados à Educação voltam a registar maior procura. O que poderá estar a contribuir para esta mudança?

Tem havido uma procura maior. Há, naturalmente, uma influência das políticas e da afirmação cada vez mais clara da necessidade de termos mais docentes.

Existem medidas de apoio a nível nacional e também autarquias que se têm mostrado disponíveis para apoiar a formação de estudantes que, depois de concluírem o curso, pretendam permanecer nas suas zonas de residência e contribuir para essas comunidades como professores.

Mas penso que existe também uma recuperação da valorização do trabalho do docente e do educador.

Durante décadas, o professor e a professora foram figuras centrais e pilares da sociedade. Esse reconhecimento perdeu-se durante algum tempo e houve uma desvalorização do seu papel, mas parece-me que isso tem vindo a ser recuperado nos últimos anos.

Também encontramos professores que mostram outras formas de estar na Educação e que conseguem marcar gerações. E isso leva alguns jovens a quererem seguir o exemplo dos professores que tiveram.

A criação da Escola Superior de Saúde alargou a presença das Ciências da Saúde no Campus de Almada. De que forma esta evolução pode contribuir para a afirmação do campus nos próximos anos?

O Piaget já tinha uma tradição de formação na área da Saúde, embora essa realidade não existisse no Campus de Almada. Quando começámos este percurso, beneficiámos também do conhecimento dos colegas dos outros campi. No Piaget trabalhamos de forma articulada.

Em Almada, uma das áreas que se tem vindo a afirmar é a do Desporto, do Movimento, do Exercício e da Saúde.

Esta realidade, em articulação com os cursos do ISEIT nesta área e com a formação em Desporto existente na escola profissional, cria oportunidades interessantes ao nível da formação e da investigação.

Acredito que a área do exercício e da saúde será, com toda a certeza, um dos caminhos por onde passará também a afirmação futura do Campus de Almada.

Num contexto em que a tecnologia, a inteligência artificial e novas exigências profissionais estão a transformar rapidamente o mercado de trabalho, como pode a formação superior acompanhar essa evolução?

O facto de utilizarmos metodologias de ensino muito assentes na componente prática ajuda-nos nesse processo.

Temos vários projetos de articulação com a comunidade e existe uma forte aposta nos estágios. Isso faz com que o Piaget, pela própria forma como ensina e pela necessidade de responder ao que acontece à sua volta, consiga adaptar-se mais facilmente a novas realidades.

Há também uma preocupação ao nível da própria estrutura dos cursos. De forma cíclica, procuramos fazer atualizações que permitam responder à evolução de cada área de formação, seja através dos conteúdos, seja das unidades curriculares.

Existe, portanto, essa preocupação de atualização curricular para acompanhar as mudanças que vão ocorrendo.

O Campus de Almada mantém diferentes parcerias e acolhe regularmente entidades e projetos externos. Que importância assume esta abertura à comunidade na estratégia do campus?

Queremos continuar e consolidar aquilo que já temos vindo a fazer.

Existem parcerias que permitem que, dentro do próprio campus, haja uma convivência direta e quotidiana com entidades externas. Temos, por exemplo, uma ligação com o Benfica e projetos com a Ano Paralelo.

Isto faz com que o campus seja um espaço onde a ligação à comunidade não tenha obrigatoriamente de acontecer apenas dos portões para fora.

Nós próprios acolhemos projetos e organizações. O Movimento da Escola Moderna, por exemplo, reúne aqui.

Essa abertura existe nas várias áreas do campus. O campus não vai apenas ao encontro da comunidade. Também recebe e acolhe a comunidade no seu espaço.

Que ambiente e experiência académica irão os estudantes encontrar no campus ao longo do ano letivo que agora se inicia?

Seguramente, um campus que espelhe, no quotidiano, os valores do Piaget: o humanismo e a proximidade. Que sintam que este é um espaço onde se cresce em conjunto e onde essa possibilidade de crescimento é construída entre todos.

Não gostaria que vissem o campus apenas como um lugar por onde passam. Quero que sintam que é a sua casa, um lugar onde podem ficar e onde os seus projetos e os seus sonhos encontram espaço para crescer e se consolidar.

 

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