Durante 24 horas, a Casa da Cerca, em Almada transforma-se num espaço dedicado ao desenho, à experimentação e à criação. O evento “Traço Contínuo – 24 Horas a Desenhar” decorre entre as 14h de sábado, 19 de setembro, e as 14h de domingo, dia 20, com atividades distribuídas por diferentes espaços da Casa da Cerca e dos seus jardins.
A iniciativa propõe uma programação contínua, com 12 oficinas orientadas por artistas convidados, que se sucedem de duas em duas horas, complementadas por várias atividades de participação livre.
A programação pretende chegar tanto a quem já desenha como a quem não tem experiência nesta área. “Desafiamos quem desenha e, sobretudo, quem acha que não sabe desenhar, a juntar-se a esta celebração do traço e a descobrir novas formas de olhar, imaginar e criar!”, refere a Câmara de Almada, em comunicado.
Entre os artistas convidados encontram-se Adriana Molder, Daniel Melim, João Catarino, João Fazenda, Manoel Quitério, Mário Linhares, Mimi Tavares, Pedro Salvador Mendes, Sara Simões, Somayeh Gholami e Susana Lemos. As oficinas propostas abordam diferentes temáticas, matérias e pontos de vista, explorando várias práticas e entendimentos do desenho.
Um programa que atravessa dia e noite
A programação arranca às 14h de sábado, com a oficina “Do muro à Cerca”, orientada por Manoel Quitério. No Parque de Escultura, os participantes são convidados a colaborar na criação de uma pintura mural que celebra o desenho, os 25 anos do Jardim Botânico e algumas obras artísticas relacionadas com a história da Casa da Cerca.
Às 16h, João Fazenda apresenta “Uma casa de imagens”, uma oficina que parte das imagens existentes nas galerias e jardins da Casa da Cerca para criar cartazes através da técnica do stencil. Duas horas depois, às 18h, é a vez de “Criaturas mágicas d’O Chão das Artes”, de Susana Lemos, que convida os participantes a descobrir figuras escondidas na paisagem através da pareidolia, recorrendo a pigmentos naturais, aguadas e grafites aguareláveis.
Entre as 20h e as 23h, a proposta “Comida para desenhar e comer”, de João Catarino, cruza o desenho com a degustação. Os participantes irão circular por uma área dentro e fora da Casa da Cerca, desenhado a partir das escolhas que fazem para o prato.
A partir das 22h e até à 1h da madrugada, Adriana Molder orienta “A madrugada do Desenho”, uma sessão de três horas pensada para criar um ambiente propício à criação artística.
Já durante a madrugada de domingo, entre 00h e as 3h, Mário Linhares orienta “Em busca da linha que fala”, uma sessão de desenho de modelo nu que explora as relações entre linha e mancha, figura e fundo e acabado e inacabado. Segue-se, entre as 2h e as 5h, “Desenhar a luz”, de Mimi Tavares, que leva os participantes a explorar o jardim durante a noite e a desenhar a luz das árvores e plantas.
Entre as 4h e as 7h, Daniel V. Melim apresenta a “Discoteca do Desenho”, sob o tema “O poder das plantas”. A proposta cruza “som, dança, plantas e desenho” num diálogo exploratório, com diferentes estações de desenho abertas aos participantes.
As últimas horas da maratona
Com a chegada da manhã, o programa continua com novas oficinas. Entre as 6h e as 9h, Pedro Salvador Mendes orienta “Pintar a luz da manhã”, convidando os participantes a observar as variações de luz e cor da aurora e registá-las em aguarelas.
Às 8h, Sara Simões propõe “Trepadeira em crescimento”, uma atividade que dará origem a um mural coletivo a partir de desenhos feitos em pequenos quadrados de papel. Já entre as 10h e as 13h, “Letras que Desenham”, de Somayeh Gholami, introduz os participantes à caligrafia persa, através dos estilos Nastaliq e Cúfico.
A maratona termina com uma nova sessão de “Do muro à Cerca”, entre as 11h e as 14h, encerrando o mural iniciado no sábado.
Para além das oficinas orientadas, estarão disponíveis atividades que podem ser realizadas de forma autónoma, permitindo explorar diferentes técnicas, suportes e materiais. Entre as propostas encontra-se a utilização de uma câmara a desenhar e a participação num grande desenho coletivo ao estilo cadavre-exquis.
Exposição e performance na Piscina
Em paralelo, será inaugurada a exposição “A forma é vazia”, de Joana da Conceição, nas antigas Piscinas de São Paulo, localizada junto à Casa da Cerca. A exposição poderá ser visitada entre as 14h de sábado e as 14h de domingo.
O mesmo espaço recebe, no domingo, 20 de setembro, entre as 6h30 e as 8h, uma performance de Joana Conceição, com André Abel, Jorge Martins e Marta Ângela. A intervenção foi pensada para explorar as características acústicas do edifício, aproveitando o som e a luz do nascer do sol.
Com a iniciativa “Traço Contínuo”, pretende-se afirmar a Casa da Cerca como “um espaço de reflexão e experimentação em torno do desenho”, abrangendo diferentes formas de trabalhar esta prática, “desde um rabisco aparentemente infantil à linha abstrata do desenho expandido”, passando pelo desenho de nu, pela paisagem e pelo desenho enquanto estratégia de pensamento, sublinha a Câmara de Almada.
Ao longo das 24 horas, as propostas vão cruzar “corpo, natureza, luz e som”, proporcionando diferentes experiências de desenho aos participantes.
Algumas das oficinas requerem inscrição prévia, através do email marcar.cac@cm-almada.pt ou na receção da Casa da Cerca. A organização informa ainda que, por motivos climatéricos, de segurança ou de operacionalidade, os locais das atividades, as lotações ou a necessidade de marcação prévia poderão ser alterados durante o evento.
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