Profissionais dos espetáculos pedem inquérito sobre festival Sol da Caparica

Profissionais, artistas e público denunciaram problemas técnicos e alterações no programa do festival. Câmara Municipal de Almada admite “corrigir falhas e planear para 2023 a melhor edição de sempre”. 

 

A Associação Portuguesa de Profissionais dos Espectáculos e Eventos (APPEE) pediu à Câmara Municipal de Almada e ao Ministério da Cultura um inquérito sobre os “lamentáveis” problemas técnicos e alterações do programa do festival Sol da Caparica, denunciados por artistas, profissionais, indicou numa carta aberta.

O festival, que decorreu no Parque Urbano da Costa da Caparica, foi alvo de críticas por parte de artistas. Alguns deles viram os seus espetáculos cancelados, como foi o caso de The Legendary Tigerman. “Tentámos ultrapassar as várias dificuldades técnicas e logísticas que causaram um atraso de três horas nas atuações. Chegados ao limite horário permitido para a realização do festival resignámo-nos à única solução possível: o cancelamento”, explicou a banda num comunicado.

Por sua vez, o artista Miguel Ângelo disse nas redes sociais que “o cancelamento após duas canções e meia do início do meu (des)concerto ontem à noite –depois de um atraso de três horas e o consequente cancelamento da atuação do The Legendary Tigerman foram inevitáveis devido à instabilidade da corrente elétrica”.

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De acordo com a APPEE, os acontecimentos ocorridos entre os dias 11 e 15 de agosto colocam em causa “a integridade e a credibilidade, não apenas dos profissionais e artistas que foram contratados pelas entidades promotoras desse evento, mas de toda uma classe de trabalhadores”.

Também por parte do público houve queixas, algumas apresentadas no Portal da Queixa ao Grupo Chiado, empresa responsável pela organização do Sol da Caparica em parceria com a Câmara Municipal de Almada. 

Por sua vez, a célula dos trabalhadores da cultura de Almada do PCP considera que a Câmara de Almada tem responsabilidades nos problemas decorridos durante o festival, criticando a organização por promoverem “um ambiente de intimidação inaceitável, com declarações insultuosas, inapropriadas e desrespeitosas. Existem relatos de artistas ameaçados fisicamente. Tudo isto é inaceitável para os profissionais da cultura”, indicou num comunicado enviado ao ALMADENSE.

 

Autarquia admite “corrigir falhas”

Questionada pela agência Lusa, a Câmara de Almada referiu estar a aguardar pareceres dos serviços envolvidos no festival Sol da Caparica “sobre a forma como este decorreu para posteriormente se reunir com o promotor do evento, o Grupo Chiado”.

Ao mesmo tempo, a autarquia admite “corrigir falhas e planear para 2023 a melhor edição de sempre”, referiu a mesma fonte, saudando, por sua vez, “a grande adesão do público, por mérito de todos os artistas envolvidos, congratulando-se, também, pelo Festival ter ocorrido sem incidentes ao nível da segurança”.

Por seu lado, a organização do evento prefere destacar que o festival esgotou todos os dias, o que considera ser “um facto inquestionável e que inequivocamente cala os que injustamente criticam” de uma forma que considera “injusta”, indicou, numa resposta à agência Lusa.

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