Urgências do Hospital Garcia da Orta estão novamente em “rotura”

Médicos da principal unidade de saúde em Almada queixam-se das “péssimas condições” do serviço de urgências que não correspondem aos mínimos aceitáveis. 

 

O serviço de urgências do Hospital Garcia da Orta, em Almada, está novamente em rotura devido à falta de médicos, alertou o Sindicato Independente dos Médicos (SIM). A situação levou mais de 60 médicos a assinarem uma missiva em que denunciam as “péssimas condições” das urgências do Hospital.

“A situação que se vive no Serviço de Urgência nos últimos dias está a ultrapassar os limites do imaginável e a esgotar os profissionais de saúde a todos os níveis. Não temos obtido qualquer tipo de resposta dos nossos superiores, com os quais temos comunicado via email nos dias em que estamos de urgência através de descrições curtas e objetivas da situação, e através das escusas de responsabilidade. Sentimos falta de respeito, falta de plano, falta de gestão e liderança da hierarquia superior do HGO”, pode ler-se na missiva divulgada pelo SIM na quarta-feira, dia 8 de junho.

Em comunicado, o sindicato exige respostas e lamentou que os profissionais de saúde se vejam forçados a pedir escusas de responsabilidade devido ao esforço profissional que degrada o serviço. “O Ministério da Saúde e o Conselho de Administração não podem fingir que desconhecem o problema e as condições em que estão a ser tratados os doentes. Exige-se atos urgentes e não meros discursos de boas intenções”, argumentou o sindicato.

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Hospital admite falta de especialistas

Já o Conselho de Administração do Hospital, numa carta à agência Lusa, admitiu que tem uma escassez de médicos especialistas em Ortotraumatologia e Ginecologia e Obstetrícia. A situação motivou o encerramento da urgência de Ginecologia/Obstetrícia, e também das urgências de Ortopedia e Traumatologia por falta de condições durante 24 horas.

Ainda assim, a unidade hospitalar assegurou que todos os esforços estão a ser feitos para “reforçar as equipas médicas e de enfermagem, não havendo restrições à contratação” e que está à disposição para “dialogar e, em conjunto, tentar encontrar novas alternativas que possam melhor satisfazer tanto os nossos utentes como todos os profissionais de saúde, a quem reconhecemos e agradecemos esforço, empenho e dedicação, neste período particularmente difícil”.

Estas condições são o culminar da fragilidade do serviço de urgências que se têm “prolongado no tempo, sem qualquer resposta, sem qualquer solução, e a lista repete-se anos após anos” pode ler-se na missiva assinada pelos médicos.

José Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos, veio publicamente defender os profissionais de saúde, dizendo em entrevista à SIC que “não é possível pedir-lhes mais trabalho, no ano passado, muitos destes médicos fizeram 400, 500 horas extraordinárias – são 60 dias úteis”.

De relembrar que o Hospital continua também com constrangimentos devido ao ciberataque sofrido o mês passado.

 

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