Desabamento na arriba leva moradores a saírem de casa na Costa da Caparica: “Não me lembro de algo assim”

Deslizamento de terra volta a expor a vulnerabilidade das habitações localizadas junto à encosta.

 

Sandra Pina acordou na madrugada desta quarta-feira sobressaltada. “Às 5h da manhã começou a cair”, relata ao ALMADENSE, descrevendo a apreensão ao ver a arriba fóssil da Costa da Caparica a desmoronar-se junto à sua casa, que se situa a escassos 10 metros da encosta, em São João da Caparica.

“Neste momento, tenho a arriba no meu quintal”, conta a moradora. Natural da Costa da Caparica e residente permanente desde 2006, garante nunca ter presenciado algo semelhante. “Os solos estão mais do que saturados. Não me lembro de alguma vez ter visto algo assim.”

O desabamento parcial da arriba fóssil está a colocar casas e moradores em risco, deixando a população em alerta, sobretudo devido à previsão de continuação da precipitação nas próximas horas.

Por precaução, Sandra Pina vai dormir em outra casa que tem na Costa, mas mais afastada da encosta. Em Santo António, várias famílias estão a procurar abrigo junto de familiares, mas em São João muitos moradores estão a optar por permanecer nas suas casas, como é o caso de uma vizinha de Sandra, que tenciona dormir no bairro juntamente com o filho.

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De acordo com a moradora, elementos do Serviço Municipal de Proteção Civil de Almada estiveram no local durante a tarde, tendo tomado nota da situação, mas sem prestar apoio direto aos moradores.

De resto, a situação não é inédita na Costa da Caparica. “É recorrente, mas ninguém faz nada”, lamenta Sandra Pina, lembrando um episódio de há alguns anos, quando uma árvore caiu em cima da sua casa durante um período de chuvas intensas. “Foi um grande susto”, recorda.

Entre os moradores, mantém-se a preocupação em relação às próximas horas, com a previsão de mais precipitação, aliada à instabilidade dos terrenos. “Pode trazer mais consequências”, alerta Sandra.

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