“Só há rua quando todos têm teto” é o mote para a sexta edição do “Contrasto”, que decorre no próximo sábado, dia 3 de outubro, entre as 11h e as 23h, na Rua António Nobre, em Cacilhas. A entrada é gratuita e aberta a toda a comunidade. Organizada pelo Estuário Colectivo, movimento associativo constituído por moradores do bairro, a iniciativa pretende voltar a levar a comunidade para o espaço público e afirmar o direito constitucional à habitação.
A edição deste ano parte do artigo 65.º da Constituição da República Portuguesa, que consagra o direito de todos a uma habitação adequada, informa a organização em comunicado. Através deste dia de celebração, pretende-se chamar a atenção para a relação entre o acesso à habitação e a própria vivência da rua e da comunidade.
Um dia de atividades em Cacilhas
A programação começa às 11h, com a tertúlia “Art.65 – Só há Rua Quando Todos Têm Teto”, dedicada ao direito à habitação. À mesma hora abre o mercado local, com comida, bebida e artesanato. Começam também as pinturas faciais, dinamizadas pelo Núcleo de Voluntários da Escola Secundária Cacilhas-Tejo, e a Oficicleta Ferramenteca do Estuário, dedicada à afinação e ao check-up de bicicletas.
Ao longo do dia, a Rua António Nobre, o jardim, o ringue e as arcadas dos prédios recebem ainda concertos, dança, projeções de vídeo e atividades abertas à participação da população.
Na música e na dança, o programa inclui atuações de 300 Velhas, Recanto, António Boieiro, Baque do Tejo, Peixaranha, Ja Yl’ Son & Cultura Viva e Tony Rosie. Estão também previstas apresentações de The Future Iz Us, da companhia de dança Margem, bem como o espetáculo “O Teto das Párias”, da Show It Dance Academy e The Future Iz Us.
As arcadas recebem ainda a projeção “Entre a Construção e a Rutura”, de Iolanda Rolo e Path Trick, uma atuação de Sunil Pariyar e André David, com flauta bansuri e guitarra, e uma projeção de vídeo sobre habitação, da autoria do grupo Irmã Feia, com curadoria de Tiago Smith.
Um dos momentos da noite acontece às 21h30, no ringue, com “Casas de uma Rua”, um projeto de Xanata, Noga, Gaspar e Otávio Justo que cruza arte performativa, música, escrita, pintura e arte circense, convidando o público a descobrir novas formas de olhar e sentir a rua.
A iniciativa “Contrasto” pretende aproximar moradores, associações, artistas e comerciantes, assumindo-se como um momento de encontro e participação comunitária. “Através da cultura, da reflexão e da ocupação coletiva do espaço público, o Estuário Colectivo procura dar visibilidade às diferentes pessoas, histórias e expressões que constroem a identidade do bairro”, sublinha a organização.
“Queremos a rua a explodir de encontro, a contrariar o desencanto e a transformar-se numa ponte que se confunde com casa. A condição para podermos dizer ‘saímos à rua’ é todos termos um teto no recolher”, conclui Pedro Rebelo, membro do Estuário Colectivo, citado em comunicado.
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