Câmara de Almada interdita circulação no Cais do Ginjal

Interdição abrange a zona ribeirinha desde o terminal fluvial de Cacilhas até aos restaurantes em Olho de Boi. Medida decorre do agravamento da situação no Cais do Ginjal, que se degradou nas últimas semanas devido ao mau tempo.

 

A Câmara Municipal de Almada (CMA) determinou esta quinta-feira, dia 3 de abril, a interdição da circulação de pessoas no Cais do Ginjal, em Cacilhas. A autarquia decretou a Situação de Alerta com efeitos imediatos, que irá vigorar pelo menos até ao dia 1 de maio, “podendo ser renovada”, informou o município em comunicado.

A decisão deve-se ao “acelerar da degradação” da zona nas últimas semanas, “potenciado pelos vários eventos meteorológicos e fenómenos naturais que se têm vivenciado”, adianta a CMA. A interdição à circulação abrange toda área desde o terminal fluvial de Cacilhas até aos restaurantes Ponto Final e Atira-te ao Rio, no Olho de Boi.

A mesma nota refere ainda que serão realizados trabalhos no sentido de mitigar os efeitos desta interdição. Em concreto, prevêem-se “obras de requalificação da
escadaria junto ao Elevador da Boca do Vento”, assim como a sinalização de vias alternativas de acesso aos espaços que não ficarão condicionados.

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A autarquia garante que a situação tem vindo a ser acompanhada, mediante visitas técnicas pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, e que serão levados a cabo “todos os esforços no sentido de ser reposta a normal circulação, com a maior brevidade possível”.

A degradação da zona do Cais não é nova, mas acentuou-se nas últimas semanas, em boa parte devido aos fenómenos meteorológicos extremos (como a recente tempestade Martinho) que se abateram sobre Portugal, e a que o município não ficou imune.

 

“O queijo suíço em que se transformou o Ginjal”

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Bloco de Esquerda referiu-se ao Ginjal como um “queijo suíço”, em alusão aos buracos que se acumulam na zona. Maria João Morais / Almadense

O assunto foi discutido na última reunião da CMA, realizada a 17 de março, quando a vereadora do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, instou o executivo municipal a encontrar solução para “o queijo suíço em que se transformou o Ginjal”, numa referência aos buracos que se foram acumulando na zona de circulação. “Aquela passagem, que dá acesso a dois restaurantes da moda à noite, mesmo no verão não é iluminada e tem buracos que dão para o rio”, criticou a vereadora, acrescentando que “é uma questão de tempo até haver ali uma tragédia”.

Em resposta, a presidente da CMA, Inês de Medeiros (PS) reconheceu que “a questão é mais preocupante”. Na altura, alertou que “no dia em que a Proteção Civil disser que está intransitável, fechamos”, situação que se concretizou esta quinta-feira. A autarca acrescentou contudo críticas “aos processos em tribunal” levantados pela Associação Portuguesa do Ambiente (APA), bem como a intercedência de entidades de gestão pública e do governo central, que diz estarem a impedir que os projetos para o espaço avancem.

Na nota publicada esta quinta-feira, é referido que já foram levadas a cabo várias ações junto das entidades responsáveis pela zona, incluindo os proprietários do edificado e a Administração do Porto de Lisboa e o próprio Governo, no sentido de realizar obras naquela zona — tentativas que, até agora, não tiveram sucesso.

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Fotogaleria: Depressão Martinho provoca queda de árvores e estragos em Almada

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