Almada cria Gabinete de Crise para responder às falhas no abastecimento de água

Plano de contingência prevê redução da pressão da água durante a noite e reforço do abastecimento com camiões-cisterna.

A Câmara Municipal de Almada criou um Gabinete de Crise para acompanhar de forma permanente a evolução das falhas no abastecimento de água que têm afetado o concelho nos últimos dias, em particular as freguesias da Costa da Caparica, Charneca de Caparica, Laranjeiro e Feijó.

O novo gabinete terá como missão monitorizar o abastecimento, avaliar a eficácia das medidas já implementadas e definir novas ações para minimizar os impactos e acelerar a normalização do serviço. A estrutura é coordenada pelo presidente do Conselho de Administração dos SMAS Almada, Luís Palma, e integra vários serviços dos SMAS e da Câmara Municipal, segundo um comunicado conjunto.

Entre as medidas já em vigor está a redução da pressão da água na rede entre a meia-noite e as 6h da manhã em todo o concelho. Sempre que necessário, serão também posicionados camiões-cisterna nas zonas mais afetadas e junto de clientes considerados sensíveis.

A autarquia assegura ainda que está a ser feita uma “monitorização permanente dos equipamentos mais críticos e sensíveis do concelho”, garantindo o abastecimento às unidades de saúde, estruturas residenciais para pessoas idosas, equipamentos sociais e outras infraestruturas essenciais.

No âmbito da gestão solidária e rotativa da rede, os SMAS Almada “procurarão comunicar antecipadamente à população todas as interrupções programadas” no fornecimento de água, sempre que tal seja operacionalmente possível.

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Autarquia pede desculpa aos munícipes

Perante os sucessivos problemas registados na rede, a Câmara Municipal apresenta “um pedido de desculpas aos munícipes” pelos constrangimentos causados, reconhecendo o impacto na vida das famílias, empresas e instituições.

Segundo a autarquia, o “aumento excecional do consumo de água registado nos últimos meses, associado a uma pressão sem precedentes” sobre a rede levou à ativação de um Plano de Contingência, que reforça a monitorização da infraestrutura e prevê um conjunto de medidas extraordinárias para garantir a continuidade do abastecimento.

Os dados disponíveis revelam “uma situação verdadeiramente excecional”, diz a autaquia, referindo ainda que, desde o início do mandato, têm sido implementadas “medidas para reforçar a resiliência da rede, reduzir perdas e aumentar a capacidade de resposta dos serviços”. Nos primeiros seis meses, foi possível reduzir para “cerca de metade as perdas de água provocadas por ruturas”, apesar da antiguidade de grande parte das infraestruturas.

Em simultâneo, foi reforçada a monitorização da rede através de tecnologias como inspeção interna das condutas, drones e análise de dados de satélite no âmbito do programa Copernicus.

A análise dos consumos identificou também alterações significativas nos padrões de utilização. Enquanto “algumas zonas registaram uma diminuição do consumo, noutras verificou-se um aumento muito expressivo, que não teve correspondência na faturação”, indiciando “situações de utilização irregular da rede”. Em resposta, equipas conjuntas dos SMAS e da Câmara encontram-se no terreno a desenvolver ações de fiscalização e sensibilização.

Ao nível estrutural, foram iniciados “contactos com as Águas de Portugal para avaliar soluções que permitam reforçar a redundância do sistema de abastecimento, quer através da margem norte, quer através de interligações com sistemas dos municípios vizinhos que dispõem de maior disponibilidade de recursos hídricos subterrâneos”. Estão igualmente a ser analisados estudos técnicos sobre os recursos hídricos da região para apoiar soluções de médio e longo prazo.

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Paralelamente, decorrem “diligências junto da Agência Portuguesa do Ambiente para que os licenciamentos de novos furos de captação possam ser autorizados com caráter de urgência”, por serem considerados a solução mais rápida para reforçar a disponibilidade de água.

A autarquia informa ainda que as ações de fiscalização vão prosseguir em todo o concelho, com especial incidência nas freguesias da Charneca de Caparica, Sobreda e Costa da Caparica, onde foram detetados consumos anormais e não faturados.

Finalmente, os SMAS de Almada e a Câmara Municipal apelam ainda à “colaboração de todos os munícipes para uma utilização responsável da água, evitando consumos não essenciais durante este período”. A “cooperação de todos será determinante para preservar este recurso essencial, reduzir a pressão sobre o sistema de abastecimento e ultrapassar, em conjunto, esta situação excecional”, concluem.

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