Mostra de Teatro de Almada celebra 30.ª edição com 18 espetáculos em todo o concelho

No ano em que chega à sua 30.ª edição, a Mostra de Teatro de Almada apresenta criações de grupos de teatro de Almada, dando palco à diversidade da criação teatral do concelho.

De 30 de outubro a 29 de novembro, a Mostra de Teatro de Almada está de regresso ao concelho para a sua 30.ª edição. A edição deste ano conta com 18 criações teatrais dos autores Bertholt Brech, Paul Viejo ou Joël Pommerat, e diversas propostas de autores locais como César Melo, Paulo Sacaldassy ou Carlos Amaral.

A programação arranca já esta sexta-feira, 30 de outubro, sexta-feira, às 21h, no Auditório Fernando Lopes-Graça, com “Algoritmo da Solidão”, uma produção da Associação Cultural O Mundo do Espetáculo. A peça apresenta um cenário distópico marcado por interações forçadas e por uma realidade mediada pela inteligência artificial.

No dia seguinte, 31 de outubro, às 21h, o Teatro-Estúdio António Assunção recebe “Custe o que Custar”, de João Soares. A peça acompanha uma associação local à beira da falência, cuja direção decide montar um espetáculo para angariar fundos e tentar salvar a instituição. O mesmo espaço acolhe, a 5 e 6 de novembro, às 21h, “QUinTA AVenIDA EsqUinA CoM QuÊ”, de Paul M. Viejo. A obra acompanha a viagem pessoal e filosófica de um homem que procura encontrar a sua própria realidade numa cidade que parece sonhar consigo mesma.

A 8 de novembro, domingo, às 15h, a Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas, recebe “Natural_mente – Flores”, uma performance teatral itinerante de entrada livre. Coproduzida pela Produções Acidentais e pelo Teatro Extremo, a proposta leva personagens e situações excêntricas ao encontro do público.

Já o Auditório Fernando Lopes-Graça, recebe “Liveplay – No Fim da Revolução”, de Afonso Molinar. Dividido em duas partes, com a primeira a ser apresentada no dia 13 de novembro às 21h e a segunda no dia 14 às 16h, o espetáculo cruza teatro e jogos narrativos, convidando o público a participar em momentos decisivos da história e a influenciar o seu desenvolvimento.

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Nos dias 14 e 15 de novembro, às 14h30, decorrem novas apresentações de “Cais2Cais”, de João Monteiro e Francisca Paiva. Com partida no Farol de Cacilhas, o teatro-percurso desafia os participantes a caminhar pela frente ribeirinha do Cais do Ginjal, acompanhados por narrativas em português e inglês que cruzam memórias do passado industrial de Almada com as transformações do território.

Também a 14 de novembro, às 21h, o Salão das Carochas acolhe “Stories4Boys”, de César Melo. Inspirado na obra “Qui a tué mon père”, de Édouard Louis, o espetáculo cruza ficção e autobiografia para questionar os modelos de masculinidade e abordar a injustiça social.

No mesmo dia, às 21h30, o Casino da Trafaria apresenta “Náutica para Náufragos Desafogados”, de Carlos Amaral, que regressa ao palco a 15 de novembro, às 16h. A peça recorre à alegoria para abordar temas como a guerra, a opressão emocional, as mudanças e as lutas ambientais. Ainda a 15 de novembro, às 17h, o Salão de Festas da Incrível Almadense recebe “O Espírito da Minha Mulher”, de Paulo Sacaldassy. A história começa numa noite de núpcias que não corre como esperado e acompanha um marido confrontado com a morte da noiva e com a presença do espírito da mulher.

A 18 e 19 de novembro, às 21h, ainda o Salão de Festas da Incrível Almadense apresenta “A Reunificação das Duas Coreias”, de Joël Pommerat, uma obra sobre as contradições e complexidades do amor. 

A 18 de novembro às 22h e 19 de novembro às 21h, o Auditório Fernando Lopes-Graça recebe “Círculo”, de Afonso Molinar, uma performance participativa inspirada em jogos narrativos. A proposta convida o público a relacionar-se com os outros e a refletir sobre a sobrevivência de uma comunidade.

A 21 de novembro, sábado, às 16h, o Auditório Fernando Lopes-Graça acolhe “Os Habitários”, um espetáculo de marionetas e formas animadas encenado por Ângela Ribeiro e Susana Rosendo, da Embal’Arte. A criação explora, através de imagens e personagens, os dilemas, os conflitos e as relações humanas.

No dia 22 de novembro, às 15h e às 17h, o Salão de Festas da Incrível Almadense recebe “Alicia e o Chapéu Encantado”, encenado por Eugénia Viana. Destinada ao público infantil, a peça acompanha uma viagem ao País das Maravilhas através de um álbum de fotografias mágico e aborda as emoções e a aceitação das diferenças.

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A 25 de novembro, às 21h, o Auditório Fernando Lopes-Graça apresenta “32.3”, uma produção da Anthropos – Associação Cultural. Com duas atrizes em palco, o espetáculo explora a relação entre o tempo real e o tempo do discurso, questionando a perceção e a ausência.

No dia seguinte, 26 de novembro, às 21h, o Salão das Carochas recebe “O Último Reich”, inspirado na obra “Terror e Miséria no III Reich”, de Bertolt Brecht. Encenada por Ana Nave, a peça retrata uma sociedade dominada pelo medo, pela vigilância entre vizinhos e pela influência de um poder totalitário.

A 28 de novembro, às 21h, o Auditório Fernando Lopes-Graça acolhe “A Gente Quer É Revista”, com encenação de Diogo Novo e inspiração no filme “A Canção de Lisboa”, de Cottinelli Telmo. O espetáculo combina humor, música ao vivo e crítica social, recuperando a tradição da revista à portuguesa numa abordagem contemporânea.

A programação termina, de acordo com as datas indicadas para o espetáculo, com “A Caverna”, de Luís Menezes, no Casino da Trafaria, a 28 de novembro, às 21h30, e a 29 de novembro, às 16h. Partindo da Alegoria da Caverna, de Platão, a peça acompanha duas personagens que confundem as imagens projetadas com a realidade e convida o público a questionar aquilo que toma como verdadeiro.

“As criações coletivas e respetivos elencos permitem testemunhar o empenho, a dedicação e o entusiasmo das dezenas de participantes, entre atores, encenadores e elementos da produção técnica, que, edição após edição, contribuem para afirmar o Teatro enquanto arte performativa com notório e particular destaque no panorama artístico do Concelho”, destaca em nota de imprensa a Câmara Municipal de Almada, que organiza o evento, em parceria com os grupos locais.

Além dos espetáculos, a Mostra inclui ainda atividades de enriquecimento programático, como leituras de peças teatrais, jogos narrativos, debates, aulas de interpretação e expressão criativa, oficinas de teatro e lançamentos de obras. Entre as iniciativas previstas está a apresentação da tradução de “A Casa de Bernarda Alba”, realizada por Rui Silvares, acompanhada por um recital de poemas de Federico García Lorca.

Os bilhetes têm um custo de 8 euros. Jovens com menos de 30 anos e seniores com mais de 65 anos beneficiam de um preço reduzido de 6 euros, enquanto os grupos a partir de seis pessoas pagam 5 euros por bilhete. As reservas devem ser efetuadas junto do promotor de cada espetáculo.

Texto: Marisa Ferreira

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